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É tempo de descobertas
Tem uma coisa com a qual a gente convive e, mais cedo ou mais tarde, se acostuma, mesmo não gostando dela. É da rotina que eu tô falando. E o ruim é que sem ela a gente não vive. Mas quando aparece, de um dia pro outro, uma nova rotina a ser seguida, surge, muitas vezes, ele: o medo. Pois bem... a mudança que ocorreu na minha rotina foi a faculdade. Depois de séculos, comecei um curso superior e, dentro de quatro anos, espero convencer vocês a comprarem algo. Detalhes do curso à parte, mudanças aconteceram na minha vida, e eu aprendi, em um piscar de olhos, a fazer muitas coisas sozinha. Até um dia antes, eu tinha alguém, de certa forma, sempre por perto pra andar de mãos dadas ou pra carregar a minha bolsa caso eu estivesse cansada. Já no primeiro dia de aula, me vi diante de um desafio maior (pra mim, pelo menos): o de fazer tudo sozinha. Mais que minha segurança, o que estava (e está, ainda) em jogo era, mesmo, a minha independência. Quando minha mãe me deixou lá, no primeiro dia de aula, sentei em uma cadeira no piso térreo, mesmo, afinal, já sabia qual era a minha sala. Ela me perguntou se podia ir embora. Eu respondi tranquilamente que sim, apesar do medo (que eu não podia demonstrar). Quando ela foi embora, minha cabeça começou a borbulhar de dúvidas. Eu não sabia o que era melhor e mais fácil: me levantar e depois colocar a mochila nas costas ou levantar já "montada" com a mochila. No fim das contas, optei pela primeira opção. Como não havia ninguém por perto, me restou espantar o medo, dar um alô para a coragem e pedir pra ela me acompanhar até a sala. Meu pedido foi realizado, e lá fui eu pro elevador. Quando eu estava andando, ssurge um novo desafio: o de me equilibrar. Afinal, éramos três (tô noveleira hije... hahahaha): eu, a bengala e a mochila. Por sorte, outras pessoas também estavam esperando o elevador. Esperei algumas delas entrarem e pedi para que "segurassem" o elevador pra mim. Após entrar e aguardar, chego no andar da minha sala. Ao sair do elevador, percebo que o chão era liso pra caramba. Diante disso, o medo apareceu pra me fazer companhia, mas foi por pouco tempo. Parei, respirei fundo e passei a andar mais devagar que jabuti manco. Chegando perto da sala, vejo que a porta estava fechada (e a sala, vazia). Ao tentar abri-la, descubro que nela há aquela mola que a mantém fechada. Como eu não conseguia abri-la (afinal, era a porta ou eu, a bengala e a mochila). A sorte é que numa outra sala tinha gente. Pedi pra alguém abrir a porta, entrei e sentei. Tirando o suor (senti que tinha fugido da polícia por um tempão, pois estava cansava e um pouco tensa), me senti, de certa forma, realizada, pois consegui (e tô conseguindo) fazer coisas que antes eu fazia só com o auxílio de alguém. Sinto que estou dando passos grandes (e bons) em relação à minha independência, e para mim (por enquanto), isso vale muito mais que ter um diploma daqui quatro anos. Beijos!!
Escrito por Patricia às 15h48
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Na pista, na muvuca ou no alto?
Se tem algo que me agrada muito é ouvir música. Adoro conhecer novas vozes, ouvir diferentes ritmos. Quando sei que algum cantor ou grupo cujas músicas me agradam vai se apresentar aqui em São Paulo, faço de tudo pra ir. E vou. Se o valor cobrado for algo absurdo, ou se o show é durante a semana, me contenho e deixo pra lá. Fui em shows em três tipos de locais: em casas de shows, em estádios e em “arenas”. Casas de shows quase nunca me deram dor de cabeça, afinal, ao ligar para comprar os ingressos obtemos informações um tanto quanto precisas sobre a acessibilidade do local e estádios geralmente reservam um espaço - de fácil acesso - exclusivo para deficientes. Fora que hoje em dia, com Twitter, Facebook e Orkut a comunicação entre o público e os organizadores ficou mais fácil e, às vezes, rápida. No último dia 15, sábado, fui ao show da Amy Winehouse. Esse show fez parte de um festival, o Summer Soul, e aconteceu na Arena Anhembi. Antes do dia do show ninguém sabia informar nada sobre acesso e local reservado para deficientes. Ao chegar lá, me informei num portão que a entrada dos deficientes seria em comum com os não-deficientes que comparam ingresso para a pista comum. Pensei: “Ok. Lá na frente alguém nos ajudo ou ao menos orienta”. Me restou a segunda opção. Eu estava na cadeira de rodas (ainda bem que eu fui de cadeira) com uma prima minha. Começamos a andar pela pista. Só que como uma outra cantora estava fazendo show, nem todo mundo via que tinha uma cadeirante tentando chegar na área especial. Pelo “mapa” que eu fiz vocês têm uma noção do que eu passei pra chegar na área de deficientes. 
Depois de andarmos bastante – e sobre latinhas e garrafas amassadas –, conseguimos chegar à tal área. Me senti vencendo uma guerra. O bom dessa área é que, por ela ser alta, ninguém fica na sua frente – fora que ela fica não muito longe do palco e conta com banheiros (não aqueles químicos, aqueles construídos, mesmo) e algumas cadeiras. Passado um tempo, olho um pouco pra frente e vejo que o ambulatório fica bem próximo à área de deficientes e à pista Premium. Na hora, fiquei meio revoltada. Na área do ambulatório, deve haver um portão de saída, pois certamente há uma ambulância. Se há o portão, por que não foi feito um “esquema” ao menos de desembarque de deficientes? O desgaste com certeza seria bem menor, não acham? Mas tudo bem. Eu já estava lá. Quando o show acabou, esperamos uns minutos – afinal, todos querem sair ao mesmo tempo. Passamos de novo por toda a pista, eu passei com a cadeira novamente sobre latinhas e garrafas e depois de uns minutos, consegui chegar no carro. O show foi bom, apesar de curto. Pena que a organização tenha sido tão precária com relação a deficientes físicos. Quem sabe num próximo show (não necessariamente da Amy, pois nem sei se ela vai estar viva para outro) nesse mesmo local, a organização seja mais bem feita? Bom... tomara, né? Bjs!!
Escrito por Patricia às 22h51
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Quanto vale um sorriso?
Se tem uma coisa pela qual eu sou apaixonada são sorrisos. Não importa de quem venha, vai dizer que um sorriso não faz um bem danado pra alma? Dia desses, eu tava no Twitter, quando vi um negócio muito legal. Fui ver um pouco mais e achei legal colocar aqui. É a Operação Sorriso, que desde 1982 tá 'na ativa' operando crianças com deformidades faciais, como o lábio leporino. E o mais legal: eles fazem as cirurgias gratuitamente. O negócio é que eu vi que no Twitter, a cada 250 'tweets' com a hashtag (aquelas palavras com aquele jogo da velha do lado, sabe?) #os_pepsi, uma criança ganha uma cirurgia de lábio leporino. Legal, né? É tranquilo pra ajudar, vai? Agora, tudo que eu escrevo no Twitter só sai com #os_pepsi. Tô aqui divulgando. Se vc que tá lendo achou legal mas não tem Twitter, por que não divulgar? Vi esse vídeo e me apaixonei pelo sorriso da Talita. Dá uma olhada lá! Beijos!!
Escrito por Patricia às 19h37
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Como assim?
Sabe quando você presencia algo tão absurdo que depois você fica tonto, desnorteado? Pois é. Sábado, 31, eu passei por isso duas vezes, e de tão absurdas que eram, senti necessidade de escrever aqui. De manhã, desci pra Santos, só pra curtir um calorzinho - afinal, 5 graus fazem uma diferença tremenda. Mas para meu azar, o tempo tava fechado, e com a chuva que começou a cair acabei indo pra um shopping de lá. Como eu tô meio resfriada, minha resistência tá um pouco baixa. Por isso, solicitei uma cadeira de rodas a um segurança. Eu pensei que ele ia pedir a um bombeiro para trazê-la, afinal eles têm rádio para se comunicar. Para minha surpresa, ao invés disso, ele nos mostrou o caminho para pegar a cadeira. Ainda bem que eu estava acompanhada. Achei um absurdo, pois se o deficiente vai sozinho àquele shopping, ele que se arraste pra pegar uma cadeira de rodas. No meio do passeio, paramos pra tomar algo. Saí da cadeira de rodas e sentei. Enquanto eu agurdava o mu refrigerante, chega uma moça e fala: "Eu tô com dor no braço e preciso sentar. Essa cadeira tá vaga?". Disse que não e la foi procurar um canto. Peraí. Qual a relação entre dor no braço e necessidade de sentar? Se ela quisesse sentar, era só pedir. Era até melhor, pois ela me pouparia dessa. Porém, teve uma coisa que me surpreendeu: na hora de ir embora, eu estava esperando o elevador, que parou pra subir - eu ia descer. Um funcionário do shopping pediu pra eu entrar e desceu com o elevador (e com o povo que ia subir lá dentro). Isso não fez com que eu esquecesse o episódio da cadeira, mas fez com que o meu passeio acabasse de um maneira mais agradável. À noite, dei uma saída com meus amigos. Depois de rodar um tantinho, fomos a uma lanchonete no Itaim. Na hora de parar o carro, meu amigo perguntou ao manobrista onde tinha uma vaga de deficiente. Fomos surpreendidos com um "Aqui não tem vaga de deficiente, não.". Aí, sim, eu fiquei desnorteada. Como um resturante que tem umas 50 vagas não tem nenhuma vaga de deficiente. Meu amigo perguntou o porquê da ausência dessas vagas lá, como resposta ouviu: "É porque o estacionamento é gratuito." Hã? De onde esse cara tirou qu estacionamento pago não é obrigado a ter vaga de deficiente? Como tava tarde demais, eu nem fui falar com o gerente, mas mandarei um e-mail ao restaurante pedindo explicações lógicas para a não-existência das vagas. Eu bem que gostaria de ser poupada desses cúmulos. Mas fazer o que?
Escrito por Patricia às 15h00
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Essa tal política...
Desde sei lá quando, os candidatos à presidência vêm enchendo nossos ouvidos de ataques, promessas e músicas chatas (e grudentas). Se Deus existe, eis a prova: dia 31 tá chegando e finalmente não vamos mais ter que ver a cara dos sujeitos – afinal, é f... ver na TV um Brasil um tanto quanto fictício. Tudo bem. Vê quem quer, afinal quem tem TV por assinatura troca de canal, e quem não tem, pode desligar o aparelho e fazer algo mais agradável. A verdade é que, de certa maneira (e não sei por quê), eu gosto de horário político. Debates também me agradam. Não sei como desenvolvi a capacidade de gostar dessas coisas. Segundo o Censo (sim, aquela pesquisa fajuta que fazem com um ou outro “cidadão” de tempos em tempos) de 2000, os deficientes representam 14,5% da população brasileira. (Tá certo que até o Lula sabe que o número é maior, mas, tá, vamos fingir acreditar). Sabendo disso, seria bom que os candidatos (se é que eles sabem desse percentual) dessem um pouco mais de destaque a temas relacionados com pessoas com deficiência. Não assisti a todos os debates, não. Mas do pouco que vi, notei que políticas para pessoas com deficiência (não digo acessibilidade pois considero esse termo um tanto quanto restrito) é um tema que praticamente não entra nas discussões. Vez ou outra aborda-se algo relacionado a deficientes. Se esse fosse um tema “fixo” nos debates, como saúde, educação e segurança, as idéias certamente ficariam mais claras. Acho ótima a idéia de um candidato de criar uma rede nacional de reabilitação. Tem um verso de uma música dos Titãs que diz: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte”. Tá. A “comparação” que eu vou fazer é meio esdrúxula, mas deficiente não vive só pra fazer terapia. Pessoas com deficiência visual só andam com segurança na avenida Paulista e por uma ou outra rua, só atravessam umas 5 ou 6 ruas, já que o sinal sonoro é algo que pelos menos eu nunca vi. PCD’s auditiva também passam por alguns perrengues, estes que poderiam ser evitados se as ‘autoridades’ fossem mais atenciosas. Sair na rua e ver uma calçada decente é raro; ver um sinal sonoro, mais ainda. Fora que a lei de cotas não é cumprida por várias empresas, e muitas vezes por falta de interesse. Será que esses candidatos não vêem que deficiente tem vida, que deficiente não existe só pra fazer sensacionalismo a fim de conseguir votos?
Escrito por Patricia às 18h24
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Forma ou função?
Antes da minha última cirurgia, realizada em junho de 2007, eu só andava de mão dada. Eu sabia que eu poderia, sim, bengalas, muletas ou um andador, mas na época eu nem me tocava com relação a isso. O tempo passou e eu fiz a tal cirurgia. Logo após a operação, por eu não poder por o peso do corpo no joelho nem no fêmur esquerdo, usei cadeira de rodas durante algum tempo. Depois, quando eu já estava “autorizada” a andar, meu primeiro “instrumento” foi o andador – aquele clássico, o frontal. Apesar da minha postura não ficar muito boa nele, eu ficava segura com esse andador, não havia risco de queda. Depois de um tempo, usar andador tava muito fácil – e eu, sinceramente, tava de saco cheio de usá-lo. Perguntei à minha fisioterapeuta se era possível eu começar a usar muletas canadenses. Ela disse que achava que sim. Então, comecei a treinar marcha com as tais muletas e um tempo depois, passei a sair de casa usando elas. Mas um dia, eu coloquei uma muleta num azulejo com água e, se não fosse meu pai atrás, eu teria sofrido um belo acidente. Tempos depois, eu encostei uma das ponteiras num pouco de óleo de motor que estava no chão e, de novo, quase me estrepo. Depois desses dois acontecimentos, eu decidi suspender o uso da muleta e voltar pro andador. Minha postura não ficava boa, mas principalmente, eu não me sentia nada segura com as muletas. O tempo passou, eu comecei a estudar de manhã e, por isso, tive que trocar de fisioterapeuta. Continuei usando o andador, já que o uso das muletas foi ‘reprovado’ pela minha nova fisioterapeuta devido a minha postura, que também não ficava aquela belezura com o andador. Uns meses depois, ela me sugeriu um tal andador posterior. Eu nunca tinha ouvido falar desse tal andador posterior, mas depois que ela me falou dos benefícios que ele me traria, eu fiquei interessada. Vi um modelo para crianças. O difícil é que ele não é comercializado aqui no Brasil, e não conseguiríamos comprar através daquele site, o Amazon.com, pois o governo brasileiro não deixa você trazê-lo praça, alegando que há um “similar” fabricado aqui. A verdade é que NÃO há um similar aqui, e o que me restou, então, foi pedir pra alguém que estivesse nos EUA o trouxesse pra cá. Por sorte, tinha um conhecido que estava lá e pôde trazê-lo pra mim. O principal benefício que esse andador me trouxe foi a melhoria da minha postura, que ficou mais ereta. Na Reatech, dirigi um carro adaptado. Me senti super bem, mas como eu ia entrar e sair do carro com um andador que não é nada prático para ser montado e (principalmente) desmontado? A partir daí, o que entrou em jogo foi a minha independência. Naquela época, eu já tinha um par de bengalas que eu ganhei de uma moça cuja mãe mora na Inglaterra, país de origem das tais bengalas. Porém, havia um empecilho: a maneira como eu tinha que pegar a bengala não me trazia segurança nenhuma. Então, deixamos pra lá e eu continuei usando o andador frontal em casa e o posterior quando eu saísse. Como a idéia de dirigir não sai da minha cabeça, pensei numa maneira de usar a bengala sem sair prejudicada. Meu pai, então, “girou” a parte que e seguro a bengala. Aí, sim, eu consegui usar a bengala. Porém, minha fisioterapeuta não sentiu segurança na bengala e preferiu a muleta. Há duas semanas, comecei a fazer fisioterapia à tarde com uma moça que, após me ver andando de muleta e de bengala, gostou do segundo. De certa maneira, eu fiquei dividida. A bengala, apesar de ser uma só, me oferece mais segurança, pois é totalmente apoiada no chão, ao contrário das muletas. Entre forma e função, eu fico com a segunda. Afinal, é ela que vai me ajudar na minha independência. Beijos
Escrito por Patricia às 19h34
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Vamos ver no que dá...
Eu pensei que já tinha escrito sobre isso aqui no blog, mas acho que, quando eu fui clicar o “salvar e publicar”, deu uma pane no site e aí, eu me revoltei e deixei pra lá (ui! ). Há exatamente um mês, fui até o Salão do Acrílico, uma feira que foi realizada num centro de eventos próximo à Avenida Paulista. Como de uns tempos pra cá eu observo tudo em relação à acessibilidade, nessa feira não foi diferente. Vi várias irregularidades lá. Fiquei indignada e mandei uma carta ao Centro de Eventos. Ela ficou mais ou menos assim: *** Exmo(s) senhor(es), No dia 1º de agosto, estive no Centro de Eventos São Luís visitando o 2º Salão do Acrílico. Tenho 21 anos, sou deficiente física e pude perceber um certo descaso por parte dos senhores com relação à acessibilidade. Ao chegar no Centro de Eventos, desci de carro até a garagem. Para minha surpresa, me deparei com a falta de acessibilidade, já que fui informada de que não havia elevador na garagem. Vendo minha situação, os manobristas permitiram que eu saísse do veículo na calçada. Para isso, subi de carro e, depois, os manobristas o levaram até a garagem. Saindo do carro, vi uma calçada que, apesar de bem conservada, me ofereceu riscos. Me locomovo com o auxílio de um andador posterior. Devido à presença de pedras e buracos na calçada, não pude completar o percurso sem a ajuda de uma pessoa, pois as pedras e os buracos desestabilizavam meu andador, me oferecendo, assim, riscos de queda. Quanto à estrutura da feira, farei uma reclamação à Craft Design, uma vez que foi ela que organizou o 2º Salão do Acrílico, que contou com alguns estandes desprovidos de rampas (notei que apenas um apresentava uma rampa totalmente segura), além de bancos e mesas extremamente altos na área da casa do Pão de Queijo, e da ausência do piso podotátil, que auxilia pessoas com deficiência visual a se orientarem no espaço onde estão. Quanto ao banheiro de deficientes, tenho algumas observações para fazer. A trava da porta é acessível, pois até pessoas com uma coordenação motora deficitária conseguem manuseá-la. Porém, a pia desse banheiro não está adequada, pois além de ter sido construída numa altura desfavorável para cadeirantes, estava ocupada por vários produtos de limpeza, tendo seu uso, portanto, impossibilitado. Lembro-me, também, de que havia produtos de limpeza não só na pia, mas também pelo banheiro. Quanto ao acesso ao Centro de Eventos, sugiro a instalação de um elevador. Isso facilitaria o deslocamento de deficientes físicos, idosos, gestantes, obesos e até pessoas com carrinhos de bebê. Segundo a lei municipal 10.508/88, a manutenção da calçada é responsabilidade do proprietário do imóvel. A aplicação dos pisos intertravado e podotátil na calçada ofereceria mais segurança aos deficientes físicos e visuais. O banheiro de deficientes deve ter a pia rebaixada, além da porta trocada por uma de correr ou uma retrátil, para facilitar o acesso dos deficientes. Fora isso, é necessária a construção de uma área específica para a deposição dos produtos de limpeza. Mandei essa carta aos senhores pois acessibilidade é algo necessário também em um Centro de Eventos. Quanto à estrutura da feira, escreverei para a Craft Design. Desde já agradeço a compreensão dos senhores. Aproveito para informá-los de que mandarei essa carta para a Comissão Permanente de Acessibilidade, órgão da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de São Paulo. *** Um tempo depois, uma pessoa do Centro de Eventos me deu a seguinte resposta: Prezada Patrícia, O Centro de Eventos São Luís recebeu a sua carta referente à sua visita ao 2.º Salão do Acrílico, no dia 1.º de agosto deste ano.
Após uma atenta leitura por parte de todos os responsáveis pelo espaço, sentimo-nos solidários às suas colocações, muito bem observadas em todos os detalhes descritos, não somente pela justa exigência legal, mas, principalmente, pela comunhão de valores em relação à democratização ao acesso a locais públicos e vias para todos os cidadãos. A partir das suas referências, comunicamos que estamos, prontamente, realizando uma nova avaliação em todas as dependências do espaço, que serão adaptadas de acordo com as necessidades de nossos visitantes. Colocamo-nos à disposição, ainda, para outras sugestões a fim de que tornemos, cada vez mais, o Centro de Eventos, um local útil e funcional para todos. Aproveitamos para agradecer imensamente à sua carta e às suas colaborações. Atenciosamente, Centro de Eventos São Luís *** Depois disso, pensei e fiz: mandei a tal carta para a Mara Gabrilli, que me respondeu: Patricia, Obrigada pelo seu e-mail. Já solicitei a subprefeitura e a SMPED que faça uma vistoria a fim de constatar as irregularidades. Assim que receber uma resposta te aviso. Um beijo Mara *** Tudo bem que estamos perto das eleições, mas, sinceramente, eu espero que isso não fique em vão. Caso daqui mais ou menos um mês eu não obtenha nenhum retorno da Mara, vou “cutucá-la”. Beijos!
Escrito por Patricia às 18h35
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E no sábado à noite...
De um tempo pra cá, peguei gosto por teatro, e sempre que fico sabendo de uma peça cuja sinopse me atrai, eu não penso duas vezes: "corro" pra comprar meu ingresso. Mesmo sabendo que perto da minha casa não há praticamente nenhum teatro, eu não quero saber: pego todos os congestionamentos possíveis pra curtir uma peça. Nesse sábado, tinha uma peça em cartaz no Teatro Gazeta, que, inclusive, há tempos eu queria assistir. Pra evitar dor de cabeça, entramos em contato com o teatro pra saber como era a acessibilidade lá. Tudo tranquilo: estacionamento com acesso p/ a Av. Paulista, assentos preferenciais (que poderiam ser comprados na hora) e meia-entrada pra quem tivesse o carro segurado por uma certa empresa. Chegando no estacionamento, que ficava num shopping, nos deparamos com todas as vagas de deficientes ocupadas (me surpreendi quando vi um daqueles carros com uma 'identificação'). Chamamos o manobrista, que deixou a gente parar do lado da vaga especial - o espaço onde a gente colocou o carro não era uma vaga, mas dava pra eu entrar e sair do carro sem problemas. Pagamos o estacionamento e subimos para o piso da avenida. Do elevador, saímos num shopping e de lá, partimos para a avenida Paulista. Sinceramente, eu me senti bem demais andando lá. Ver aquela calçada toda lisinha, sem nenhum buraco, e ainda com piso tátil, me fez ficar nas nuvens por um bom tempo. Como eu ainda não tenho um fôlego bom, me cansei um pouco ao andar do shopping ao teatro - nem era um percurso comprido, mas minha língua deu uma secada. Quando eu vi o prédio da Gazeta, eu olhei aquelas escadarias e comecei a chorar por dentro. "Só falta não ter rampa!", "No fim dessas escadas, vou precisar de oxigênio", "Chama o Samu, pelamordedeus!" foi o que passou pela minha cabeça ao ver aqueles degraus. Mas como depois da tempestade vem a calmaria (tá, agora eu forcei, confesso!), o que eu vejo do lado da escada? Uma rampa! E não era daquelas que só são 'vencidas' com muita fé, não. Depois de pegar a fila errada, fui pro teatro comprar meu ingresso. Como faltava muito tempo pra abrir a sala e eu não tava a fim de andar, sentei numa cadeira que tava atrás de um "balcão". O engraçado de eu ter ficado sentada lá é que as pessoas iam pedir alguma informação e quebravam a cara, pois viam que eu não trabalhava no teatro. Até me lembrei de uma pegadinha do Silvio Santos... tá bom, pode ser maldade, mas, pô, eu não tinha nenhum crachá e nem tava de uniforme! Depois de uns 40 minutos, as portas do teatro foram abertas. Mas, pouco antes disso, uma funcionária disse que eu já poderia subir. Como eu não sou amante de muvuca, aceitei na hora. Havia uma rampa supimpa que dava acesso ao meu lugar, que era próximo à saída. Assisti à peça sem problemas (tá, eu ‘pescocei’ um pouco porque um cara meio alto sentou na minha frente) e, depois, dei uma corrida (eu, correr? hahaha) ao banheiro. Do lado de ‘dentro’ da porta do banheiro, tinha uma placa falando que lá era um ‘mijador’ pro povo torto. Por falta de um, havia dois papéis higiênicos. Não tive problemas pra usar a privada e a pia. Do lado do vaso sanitário, tinha um botão pro deficiente apertar caso necessitasse de ajuda – eu tava curiosa pra apertar e ver se dava certo, mas como tava acompanhada, deixei quieto. Pra ir ao estacionamento, como o shopping já tava fechado, tive que seguir pela Paulista e virar numa rua. Cheguei no carro me sentindo uma maratonista e idolatrando a água com gás “choca” que tinha do lado do banco do passageiro. Tirando dois detalhes (uma “rota” de piso tátil na Paulista dava num canteiro de flores e o piso de uma rampa de acesso ao teatro era igual ao do piso tátil presente no fim dessa rampa), meu sábado foi ótimo. Beijos!!
Escrito por Patricia às 19h40
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Até onde vai um direito?
Abandonei esse blog por um tempo.Pra variar, o motivo da ausência não foi falta de idéias. Foi desleixo, confesso. Mas, pronto, tô de volta. Na semana passada (ou retrasada... que seja), eu e minha mãe fomos, pra variar só um pouquinho, ao shopping. Andador retirado e montado e carro estacionado, íamos em direção à entrada do shopping quando, pela catraca, passa um carro que vai direto pra vaga de deficientes. Até aí, tudo bem. Afinal, como íamos saber se dentro do carro havia ou não um deficiente? Uma senhora desce do carro e vem andando sem nenhuma dificuldade rumo à entrada do shopping. Achamos estranho e, por isso, minha mãe perguntou a ela o porquê do uso por parte dela da vaga de deficiente. Obtivemos a seguinte resposta: “Meu filho é cadeirante e está dentro do carro. Se você quiser conferir, pode ir lá pra ver.” Eu fiquei abismada. Não vejo lógica parar o carro na vaga ‘especial’ se o deficiente não vai sair do carro. Aliás, a vaga de deficiente é mais larga que as demais, justamente para facilitar o embarque e o desembarque do deficiente do carro. Mas se ele vai ficar dentro do carro, eu pergunto de novo: pra que parar o carro na vaga de deficiente? Pra mim, esse episódio me pareceu semelhante ao daquelas pessoas que dizem: “Ah! Só vou ocupar a vaga por cinco minutinhos.” Eu sei que nem todo mundo deve ter concordado com esse meu “ponto de vista”, mas eu não acho legal esse tipo de atitude. É um certo “abuso de direito” da parte daquela senhora. Tempos atrás, confesso, eu não ligava quando as pessoas paravam o carro numa vaga de deficiente e iam, por exemplo, apenas fazer um depósito, enquanto eu esperava dentro do carro, afinal, eu sou deficiente e tava numa vaga de deficientes. Mas depois eu parei pra pensar que, se um deficiente procurasse uma vaga pra parar seu carro e todas estivessem ocupadas, ele ia colocar seu carro onde? Ou, se a única vaga estivesse ocupada pelo carro, dentro do qual eu estava, e aí, chegaria um deficiente que precisasse sair do carro? Fui. Vou tentar não abandonar mais esse blog... juro! Beijos procês!!
Escrito por Patricia às 22h02
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"Coitadices"? Nem morta!
Como eu disse no post de ontem, faço natação uma vez por semana. Hoje, fui lá dar minhas braçadas. Entro na piscina "de cabeça". Além de alongamentos, faço os típicos mergulhos (frente, crawl, borboleta e outros bichos ). Como ninguém é igual a ninguém, cada um faz as coisas do seu jeito - e no seu tempo. E comigo, não é diferente (afinal, não há sangue azul correndo pelas minhas veias). Bão... depois de ter pedalado um pouco no fundo, batido um pouco de braço e de perna e inalado um pouco d'água , era chegada a hora de eu ir embora. Pra eu sair da piscina, eu uso aquela clássica escadinha. Tá, eu demoro uns 845 minutos pra subir os três degraus, suo feito doida pra ajeitar a "mãozófi" esquerda naquele ferro pra sair da água, mas eu saio - ainda que de um jeito "diferente" e, pra muitos, estranho. Depois de ter "vencido" os degraus, sentei numa cadeira pra vestir o roupão e ir tomar banho e aí escuto uma pessoa dizer: "Nossa, mas é difícil pra ela subir, né? É um baita obstáculo!!". Juro que eu fiquei vermelha por dentro. Mas, pra não me estressar mais - e nem estressar quem tava perto de mim -, preferi ficar quieta. Mesmo porque eu tava com um friiiio de tremer até o cabelo. Um detalhe: a pessoa tinha cicatrizes no joelho, ou seja, pareeece que ela também já "passou por isso". Sinceramente, não sei o que é pior: ser parabenizada por fazer as coisas ou receber um "Coitada!" na cara. Que seria mais fácil eu sair de uma outra maneira, seria. Mas, se eu quero tentar, mesmo cansada, pô!, se for pra falar algo, fale, mas o faça positivamente. Já tá difícil pra eu subir, e eu ainda escuto "coitadices", ah, não... sem chance. Té mais! Beijos!
Escrito por Patricia às 17h45
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Tá, cê aplicou botox... mas e aí?
No último dia 07, fez dois meses que eu aliquei botox. Desde então, minha fisiatra já me viu duas vezes. Acho que tá na hora de eu fazer um post focado nos meus progressos pós-bloqueio (bloqueio = botox). Vale lembrar que nem todas as melhoras se devem ao botox. Primeiro porque botox não faz milagre (isso pode parecer óbvio, mas tem gente que acha que SÓ o botox faz tudo... e eu sei que não é assim). Além disso, por causa das aplicações, minha rotina de terapias mudou: antes, eu fazia 02 sessões de fisioterapia por semana, 02 de t.o. e 01 de fono; depois, eu passei a fazer 04 sessões de fisio, 04 de t.o., 01 de natação e 01 de fono. Pra quem não sabe, eu apliquei botox nos membros superiores e inferiores. Nas pernas, o objetivo é fazer com que minhas pernas fiquem mais retas. Nos braços, o foco é a supinação. No mês passado, eu passei pelo primeiro retorno. Passei por avaliações de psicologia, terapia ocupacional e fisiatria. De modo geral, pode-se dizer que eu melhorei. Os movimentos passivos mostraram que realmente houve um relaxamento nos músculos aplicados. Minhas pernas e meus braços são esticados com mais facilidade. Mas não foi só isso. Como o número de terapias aumentou, tenho feito mais exercícios físicos e evoluído mais. Um dos progressos é o fato de eu ter começado a andar sozinha com mais frequência. Quando há alguém atrás de mim (ui), eu ando tranquilamente. Confesso que ainda tenho um pouco de medo, não só pelo fato de que andar sozinha é algo inédito pra mim, mas também porque eu ainda desequilibro em certos momentos. Fora isso, fazer curvas ainda é meio complexo pra mim e meus braços às vezes ficam além de rígidos, numa posição meio “sonâmbulo de desenho animado”, saca? São hábitos banais, mas ainda é difícil pro meu cérebro controlar um monte de coisa ao mesmo tempo. A mão tem supinado um pouco mais do que antes, mas não muito. A palma ainda não fica totalmente pra cima, mas já gira um pouquinho mais. Ainda apresento muita rigidez em alguns músculos dos membros superiores, mas que eu tô melhor que antes, isso eu tô. De um modo geral, é isso. Depois eu volto. Té! Beijos.
Escrito por Patricia às 20h26
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É só uma questão de emergência
Depois de mil anos, tô de volta. O motivo da minha ausência não é falta de tempo. Confesso que assunto eu tenho de sobra, mas sei lá por que diabos eu fiquei todo esse tempo sem escrever nadica de nada. Bom, bora escrever. Pra tudo quanto é canto que eu vou, reparo na acessibilidade. Confesso que antes eu não era tão atenta em relação a isso. Não sei se foi o fato de eu ter amadurecido um pouco, ou se foi a novela, ou se foi a leitura de vários blogs de deficientes (alguns estão do lado direito da tela). Na verdade, acho que foi um pouco de tudo isso aí. Shoppings, restaurantes, parques... Aonde eu vou, eu olho. Há um mês e quatro dias, minha prima (eu a considero mais como sobrinha, mas enfim) nasceu. E eu não ia perder por nada nesse mundo a chance de vê-la nas suas primeiras horas de vida. Por isso, fui vê-la na maternidade. Como nem tudo são rosas na vida de quem mora em Sampa, um trânsito tipicamente infernal nos aguardava. Conseguimos chegar uma hora e meia depois do nascimento da Alice (ela tá chique... mal nasceu e já tem blog!). Eu, naquela "corujice", colei no vidro do berçário. A dor na perna nem apareceu (sem falar nos olhos, que não piscavam). Depois de ver o banho dela (tá, eu sei que tô muito coruja), fomos embora. Antes disso, fui ao banheiro. Pra minha surpresa, vejo um banheiro minúsculo me esperando . Fiquei pasma. Nem em hospitais nós, deficientes, temos nossos direitos assistidos por completo. E esse não é o primeiro hospital aonde eu vou e noto a ausência de banheiros adaptados. Se eu, que não uso cadeira de rodas (no dia, eu tava até sem andador), já tive uma dificuldade tremenda pra usar o banheiro, imagine o cadeirante? Hospitais só se esquecem de que, muitas vezes, recebem pessoas com deficiência provisória (um pé quebrado, por exemplo) que também necessitam de um espaço físico maior para se deslocar. Há prontos-socorros que possuem uma sala de triagem que, por sinal, é incrivelmente pequena. Se um cadeirante for lá, sabe Deus como vão atendê-lo. É um verdadeiro cafofo, assim como os consultórios de muitos PS's. Mudar a disposição dos móveis melhoraria a situação de muitos consultórios, mas parece que é difícil pensar nisso, não? Há muito mais pra falar sobre acessibilidade em hospitais, mas deixa pra uma outra hora, senão o post de hoje fica interminável. Té!! Beijos.
Escrito por Patricia às 15h47
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O dia em que o bom senso e o sensor falharam
Chega uma hora que rotina cansa. E aí é hora de dar uma pausa. Na quarta-feira dessa semana, eu pedi uma folga da terapia do período da tarde e saí um pouco. Como aqui num tem praia, 'nóis vai' pro shopping... Dessa vez, eu não fui de andador - e nem levei minha cadeira. 'Poisintão'... chegamos lá, eu, meus tios e minha prima. Pedimos pro cara liberar a entrada só pro meu tio deixar nós três e ir embora. Até aí, fomos atendidos tranquilamente. Depois de eu sair do carro, pedimos pro cara solicitar uma cadeira de rodas. Mesmo dotado de rádio, sabe o que o cara disse 'pa nóis'? Ah, vcs vão ter que ir até o G2 pra pedir. Mesmo com a oferta do meu tio em nos levar até la, a gente foi andando. Cheguei lá com a boca meio seca devido ao cansaço (pensei que fosse andar um pouco, mas me senti numa peregrinação). Chegamos na administração. Lá, além de pedirmos a cadeira, informamos que o funcionário tinha nos orientado ir até lá. Como a conduta dele foi errada, a moça que nos atendeu falou que chamaria ele para orientá-lo melhor. Fiquei pensando: e se a pessoa não anda, precisa da cadeira e pede pra ele? "Que ela se arraste" é o que deve passar pela cabeça do tal funcionário, que, ao que parece, não é dotado de bom senso. Bão, estando eu na cadeira, começamos nosso passeio. Nesse shopping, além dos elevadores panorâmicos, há uns que são mais escondidinhos. E são esses que eu costumo usar, pois além de quase ninguém saber que eles existem, sempre há ascensorista em pelo menos um. Mas nesse dia, eles tavam em manutenção. Aí, me restou usar os panorâmicos. Como não restava mais nenhuma opção pra nós, fomos em direção a esses "caixotes de aço". Como era dia da semana e no horário tinha pouca gente no shopping, entrar no elevador não me deixaria nervosa. Apertamos o botão para que ele parasse no andar em que estávamos. Após um tempo (dessa vez não fiquei lá esperando muito), as portas (não sei porque me lembrei das portas da esperança... ma oee) se abriram e nós fomos entrando. Só que bem quando eu fui entrar, o que me acontece? A porta tava fechando beeem em mim!! Gzuis me leva! (surrupiei, Jairo!) Só depois disso é que eu fui me tocar: o sensor desses elevadores fica numa altura que põe em perigo cadeirantes, crianças e pessoas de baixa estatura. Eu já vivi várias "peripécias" por causa de elevadores, mas essa, sinceramente, foi inédita. Vou indo nessa. Beijos e té mais!!
Escrito por Patricia às 12h26
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Será que vai?
O post de hoje é curto. Prometo!  Apesar de muitas vezes cansar de "falar sem ser ouvida", eu digo: não dá pra ficar quieta(o) diante de algo que tá errado. No post de ontem, dentre outras coisas, citei meu "passeio" pelas Lojas Americanas. Como essa rede parece não se importar com o acesso de pessoas com mobilidade reduzida (não só deficientes... idosos, gestantes, obesos e outros "perfis"), resolvi, então, enviar uma reclamação num site específico. O site é esse, e a reclamação, essa. Fazendo uma busca rápida nas reclamações publicadas, noto ao menos uma (isso porque eu só olhei rapidamente) referente à acessibilidade deficitária das Americanas (e não era de SP, não). É triste ver que uma rede de lojas tão grande quanto as Americanas não leve em conta que há pessoas com dificuldades de locomoção que são "grandes consumidores". Bom, agora é esperar que eles entrem em contato comigo e ver se ouvirei os velhos absurdos ou não. Tô "ino"!! Beijos
Escrito por Patricia às 23h54
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Cadê o bom senso?
Na quinta-feira, após mais de uma hora de fisioterapia, peguei um pouco do pique que me restava e fui até o shopping com minha mãe e meu Trambolhão (num conhece ele? clica aqui). Meu pai ficou em casa tomando umas agulhadas (calma... era só acupuntura, gente). Olha, eu sinceramente ando assustada com as atitudes (ou pior, a falta dela, às vezes) das pessoas em relação a deficientes. E às vezes me assusto tanto que meu cérebro parece travar... Uma rápida ida ao shopping me deixou pasma. E foram três (é, dessa vez foram SÓ três) aspectos que me arrepiaram (me desculpem pelo tamanho do post, mas eu não podia deixar esse "passeio" em branco). O primeiro é esse aí, ó:
Ao chegar, estacionamos o carro numa vaga de deficientes (sim, havia alguma vaga disponível!). Ao nosso lado, um carro estava estacionado sem nenhuma sinalização (eu não posso reclamar, pois por muito tempo o carro no qual eu andava não tinha nenhum adesivinho). Tiramos meu andador do carro e o montamos. Nisso, um garoto aparentemente apressado entra no veículo. Nisso, a senhora, que ocupava o banco do motorista, percebeu que havia parado na bendita vaga. Digo isso por dois motivos. Primeiro que, quando o rapaz entrou no carro, ela viu meu andador sendo montado (também, da cor que o bixim é, fica impossível alguém não vê-lo). Com meu tramnbolhão a postos, levantei e fui até ele (ai que romântico! hahaha ). Niiiisso, eu olho pra dentro do carro da moça (ué, tava procurando alguma muleta, bengala, roda, enfim) e aí, vejo ela com a cara apoiada na mão e esta, no volante. Aí já comecei a pensar: "Vê se aprende a botar o carro na vaga certa...". Bão, depois de eu me "montar" no andador, saí pro shopping. Só quando eu tava beeem perto da porta de acesso às lojas, o tal carro foi ligado e "zarpou" da garagem. "Taí" outro motivo. Acho que, se a moça não tivesse percebido a besteira que ela fez em parar o carro numa vaga "especial", ela não ia esperar eu chegar bem perto da entrada do shopping pra ligar o carro. Pode ser que ela nem tenha se tocado, mas acho que aí rolou um certo "choque". Pelo menos, assim espero. Depois disso, teve outro episódio:
Bão, a minha ida ao shopping dessa vez foi rápida. Ao entrar, fomos direto para o primeiro piso. Entramos numa loja pra pegar uma peça que fora consertada. Lá, o acesso não foi turbulento. Consegui fazer as curvas tranquilamente com meu andador. Depois, fomos a uma loja de meias e outras cositas más. Pra entrar lá eu pastei, viu?! O espaço já é aconchegante (entra um, saem dois ) e, pra piorar, no centro há uma "prateleira" com peças íntimas (ui) expostas. Só me restou ir entrando, "tirando" o povo da frente (calma, eu pedi licença) e procurando um canto pra ficar (se eu quisesse ver algo da loja, eu ia ficar no desejo). Fiquei esperando minha mãe em frente ao caixa. Bão, tava eu lá esperando ela nuuuma boa quando uma moça se aproxima do caixa. Até aí, tudo bem. Eu, como não sabia que ela desejava usar o tal caixa, fiquei ali (afinal, ainda não achei nenhum curso de guru pra me inscrever ). Agora vem o pior. A senhora, para fazer uso do caixa, economizou nas palavras (aliás, nem as usou). Ao invés de me pedir licença, como geralmente todos fazem, essa moça "distinta" (agora vocês vão ver a distinção dela) foi prática: ela PULOU meu andador. Isso mesmo, pulou a roda dianteira do meu Trambolhão. Eu juro que eu ia falar alguma coisa, mas, gente, eu travei diante dessa atitude. As palavras que estavam prontas pra sair da minha boca fugiram na velocidade da luz. Eu saí de lá tonta, como se tivesse levado um nocaute (daqueles 'brabos'), e, de lá, fui até outra loja, onde a terceira cena do meu dia tava pra acontecer. Olha como o meu dia acabou:
Depois de sair da loja sem encontrar o que procurávamos, descemos até o térreo (com o elevador milagrosamente vazio) e fomos nos aventurar nas Lojas Americanas. Eu já sei que lá os espaços são suuuper acolhedores (é por isso que eu amo ironia!), e por isso mesmo, fiz questão de percorrer a loja junto do Trambolhão - afinal, por onde anda o direito de ir e vir? Mesmo com a entrada entupida de mercadorias, eu consegui passar. Não conseguia acompanhar minha mãe numa curva ou outra, e por isso, a esperava num determinado corredor. Bom, depois de conseguir passar pelas "estreitices" daqueles corredores, a gente foi em direção ao caixa, que por sinal, tem seu acesso dificultado pelas prateleiras, e piorado pelo desleixo ou dos consumidores ou dos próprios vendedores (pouco importa a diferença) em deixar carrinhos nos corredores. Ou seja, além de ter que andar super concentrada pra não bater meu Trambolhão em nada, eu tenho qu dar uma de contorcionista pra tentar comprar qualquer coisa. Pra pagar as nossas compras não foi complicado, pois PELO MENOS a área do caixa não é TÃO apertada (mas a saída é, viu? Pensaram que minha alegria ia durar mais do que 5 minutos, né?). De resto, foi tranquilo (também, já estávamos de saída, mesmo). Pagamos o tíquete do estacionamento, fomos até o carro e zarpamos até a nossa casa. Me irrita saber que, mesmo com o fato de a novela Viver a Vida ter mostrado vários "perrengues" vividos por muitos deficientes, muita gente não tenha absorvido quase nada do que quiseram expor. O deficiente também tem vida social! A gente quer passear, trabalhar, enfim, viver, como todo cidadão. No shopping a gente também gosta de ir, mas também gostamos de entrar em lojas e ver tudo, como qualquer consumidor.
Minha cabeça tá que nem um hospício... depois eu volto aqui. Beijos!!
Escrito por Patricia às 17h34
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